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MODA
Sexta - 21 de Março de 2014 às 12:04
Por: Tina Szabados

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Depois da inauguração da Forever 21 em São Paulo, foi a vez da loja abrir suas portas aqui também no Rio de Janeiro. Na última quinta, dia 20/03, a marca realizou o soft opening - evento fechado para a mídia na Cidade Maravilhosa ( e abriu suas portas, literalmente, para o grande público no sábado, 22/03). O evento aconteceu no Village Mall. Gente em polvorosa, alvoroço, tumulto... E olha que era um evento fechado para a mídia! Eu não estava lá. Não que eu não quisesse, afinal sou jornalista e, escrevendo para a área de moda e beleza, é natural que se estivesse presente em um evento desse tipo para mostrar à vocês tudo o que rolou. Mas minhas obrigações de mãe de dois filhos (sendo um ainda bebê) não me permitiram a peripécia de permanecer até altas horas da madrugada em uma loja tentando fotografar looks e peças fashion.

Colegas que estiveram presentes na inauguração da Forever 21 - tanto no Rio quanto em São Paulo, relataram filas para o provador de até 5 horas e uma demora de até 3 horas para conseguir pagar pelas peças escolhidas...Por volta das duas da manhã, enquanto por aqui eu tentava colocar o neném para dormir outra vez (sim, porque criança pequena acorda o tempo todo e a noite inteira), salpicavam fotos no Instagram de blogueiras com imagens das pessoas lotando a loja, peças de roupa, preços, bijouterias, vendedoras pagando bronca (porque as pessoas estavam provando as peças no meio da loja), looks e tudo o mais que girava em torno da loja. Sim, em plena madrugada as pessoas ainda estavam por lá! Não porque o soft opening estava bombando de bom, mas porque era tanta gente que tudo se tornava complicado e difícil de realizar. 

Não sei vocês mas, toda vez que vejo as fotos do soft opening da Forever 21 (seja no Rio, seja em Sampa) me lembro daqueles filmes de zumbis, com os mortos-vivos invadindo o shopping... E fico me perguntando por que... A loja vai continuar lá. Então para quê todo esse tumulto? Além do mais, são só roupas!!! Mas as pessoas estão se comportando como se estivesse voltando de um campo de refugiados, completamente nuas, para pegar - de graça - roupas dadas por alguma entidade de ajuda filântrópica! O.o

Sei lá... Gosto de moda e, claro, como toda mulher vaidosa, curto fazer comprinhas. Mas tenho medo desse consumismo desenfreado cada vez mais presente na sociedade brasileira. Por que essas pessoas invadiram as lojas da Forever 21 como se fosse o fim do mundo? Elas, realmente, estavam precisando de tudo o que compraram? 

Tudo bem que a loja tem produtos com preços ótimos e que, em um país de Copa do Mundo, com preços cada vez mais abusivos - e povo cada vez mais sem grana e endividado -, mercadorias dentro das atuais tendências da moda, que são vendidas a preço de banana (regatas a R$ 8, saias a R$ 32, calças por R$ 34 e por aí vai) representam verdadeira alegria da nação. Mas, o pouco da experiência adquirida na área do fashion, me faz também observar essa questão do preço das peças com a pulga atrás da orelha e me leva a pensar em uma outra questão inquietante: para chegar às araras com valores tão baixos, só há três opções: 

1 - as roupas deixam a desejar na qualidade. 

2 - As peças foram fabricada com mão de obra escrava (ou quase isso). 

Ou 3 - A duas coisas (o que é pior ainda). 

Será? Eu não sei. Não estava lá... Mas e se for? O gasto consciente não seria um investimento bem melhor para seu dinheiro? Sei que, em tempos de Copa do Mundo, as coisas estão cada vez mais caras e que, mercadorias lindas e da moda - a um preço acessível - podem ser uma verdadeira tentação. Mas será que peças com duração de alguns meses realmente valem o investimento (e o esforço)? E se houver trabalho escravo envolvido na confecção dessas mercadorias? Até que ponto você concorda em pactuar com isso? 

Nada contra a Forever 21. Longe disso! Como já disse, sou vaidosa e adoro fazer compras, me vestir bem e me sentir bonita. Mas estou numa vibe de só comprar o que realmente preciso. Além do mais, tenho um desconfiômetro aguçado para certas coisas e, até que me provem o contrário, fico sempre com um pé cá e outro lá. 

Acho que já está mais do que na hora de um exercício de consciência a respeito do que consumismos e da forma como consumimos. Afinal, somos consumidores ou zumbis? 

E você, tem se exercitado a esse respeito?


Fotos:

I Hate Flash - Terra  - Estilo T - Mistureba Chic





Autor

Tina Szabados
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Tina Szabados - Jornalista por formação. Blogueira por acaso. Carioca, mãe de dois anjos azuis (TEA - Transtorno do Espectro Autista) e quarentona.

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